quarta-feira, 30 de março de 2016

Corrente 93

 


As Duas Tradições de Thelema


Fernando Liguori


Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.


Apenas para reflexão!

Existem duas «linhas» thelêmicas. A ortodoxa (crowleyana), mantida principalmente através da O.T.O. moderna, em um passado bem próximo designada como «Califado». Ela encabeça o que podemos chamar de «comunidade thelêmica moderna». Nessa «linha» ou «tradição», descendem ocultistas como Lon Milo DuQuette, James Wasserman, James A. Eshelman, J. Daniel Gunther, David Shoemaker, Phyllis Seckler, Grady McMurtry, Israel Regardie, Gregory Peters, IAO131 e muitos outros. No Brasil, Marisol Seabra, representante da O.T.O., está conectada a essa linha e qualquer thelemita conectado a ela, através da O.T.O., também está.

A outra «linha» ou Tradição Oral de Thelema, não é mantida por ninguém. Trata-se de thelemitas trabalhando em círculos muito fechados, descendentes daqueles que estiveram bem próximos a Crowley, como Cecil Frederick Russell, William T. Smith, Charles Stansfild Jones, Jack Parsons e Marjorie Cameron, Austin Osman Spare, Gerald Gardner e Karl Germer etc. Os descendentes modernos que mais exprimem essa tradição oral thelêmica são Kenneth Grant e Michael Bertiaux, mas existem outros.

Marcelo Ramos Motta parece estar influenciado por esses dois universos. Via Karl Germer ele obteve insights profundos sobre Thelema. Infelizmente, a atenção dada mais as querelas do que a iniciação parece ter levado Motta em um caminho distinto e Euclydes Lacerda, seu mais famoso discípulo, demonstra como ninguém essa dicotomia entre os dois universos thelêmicos. E embora Motta tenha sido um péssimo magista, sua contribuição à comunidade brasileira de Thelema ainda permanece insuperável.

Diferente da interpretação ortodoxa, a Tradição Oral de Thelema continua mantendo vivo o espírito de busca do qual Crowley era um exemplo a ser seguido. Sua presença transformava quem quer que estivesse ao seu lado. Isso manteve acesa a chama da oportunidade para o experimento. Ocultistas que descendem dessa linha não costumam praticar os rituais thelêmicos da maneira como instruídos nas publicações thelêmicas «oficiais». Existe uma maneira distinta, por exemplo, de se praticar o «Rubi Estrela». Crowley, na Abadia de Thelema, costumava conjugar o «Rubi Estrela» com o «Stellae Rubae». Essa versão era utilizada nas operações mágicas que envolviam magia sexual como a Operação Cephaloedium. Essa foi uma operação realizada com a finalidade de aterrar as energias do Aeon de Hórus. Cecil Frederick Russell, como Set-Kether fecundava Crowley através da sodomia, que incorporava o poder divino de Thoth-Lúcifer-Chokmah, a Palavra. Crowley então fecundava Leah Hirsig, que incorporava Ísis-Binah. No «Stellae Rubae», Apep ou Seth transmite, através da cópula, o feitiço puro. A essa versão do «Rubi Estrela» ainda era incluída a recitação da música recebida por Crowley em sua experiência com o 2° Aethyr descrito em «A Visão & a Voz» ou Liber 418. Ensinar essa versão aqui vai além da necessidade.

A diferença entre os ensinamentos orais de Crowley e a visão thelêmica popular ou ortodoxa exposta nas publicações oficiais como «Liber ABA» e a versão modificada de «O Livro da Lei», por exemplo, ainda está começando a ser explorada.

Eu escrevo esse opúsculo de meditação porque vez ou outra sou «acusado» de ensinar uma «versão» de Thelema distinta da doutrina exposta por Crowley. Sobre isso, penso que a resposta está nesse próprio opúsculo. Meu trabalho é dar continuidade a essa Tradição Oral de Thelema, me transmitida através de uma corrente iniciática que vem desde Aleister Crowley: Germer-Motta-Lacerda-Araújo, Grant-Lacerda e diretamente de Grant.

Com vocês, Corrente 93.



Amor é a lei, amor sob vontade.

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