sábado, 13 de dezembro de 2014

Mystère Lycantropique




Fernando Liguori


Em memória de Manuel Blanco Romasanta, o lobo que às vezes se transformava em homem.


A O.T.O. possui Chaves que, se assimiladas com precisa perfeição pelo Adepto-Tifoniano, abrem portais na consciência para manifestação de forças atávicas. Essas Chaves comportam as fórmulas do VIII°, IX° e XI° O.T.O. Como afirmei anteriormente, meios técnicos são utilizados pelo magista a fim de definir fisicamente o processo pelo qual labuta magicamente. Tais meios são chaves para abertura de portais exteriores, as Células de Seth ou os Túneis de Tululu. Elas repousam no Soberano Santuário da O.T.O., e seu uso varia de acordo com o nível de consciência involvido. A única maneira de se adquirir estas Chaves é, propriamente, se tornando elas. I.e. a aquisição destas Chaves depende somente da habilidade do iniciado em moldar sua consciência astral na forma – frequentemente zoomórfica – da zona mágica que pretende penetrar. Zos (Spare) usava muitas formas felinas; Baphomet (Crowley) usava pássatros como o falcão e a ibis. A distinção é significativa. Os Templos Egípcios da deusa-gata Bast eram dedicados a Lua e a Meon (Estrelas). Os Templos do Falcão Horus, ao Sol; o Thoth Cabeça-de-Ibis a Merrcúrio. As fórmulas mágicas que correspondem respectivamete a estes níveis são o VII(-), o IXº(+), e o VIIIº(+),entretanto a atribuição solar via Horus, é validamente trocada para Marte via a fórmula XIº(-) de Horus.

As fórmulas mágico-sexuais utilizadas pela O.T.O. nos Graus citados acima comportam formas de controle que podem ser relatadas aos três estados de consciência: vigília, sonho e sono sem sonho, todos mapeados no sistema de controle onírico desenvolvido por Kenneth Grant.

O VIII° comporta o sujeito e seus sutis objetos, fantasias, sonhos e etc.; o IX° comporta o sujeito e o objeto no estado de vigília; o XI° é o Portal que abre-se para os espaços transplutonianos tipificados pelo sono sem sonho atribuído ao Cão-Negro, Plutão.

A presente instrução é apresentada para dar importância e significado ao que nós chamamos de Mystère Lycantropique ou simplesmente Culto da Licantropia Atávica, ferramanta fundamental para que os Adeptos da Árvore da Morte possam adentrar e saltar nos Túneis ou reflexos dos Caminhos por detrás da Árvore.

O VIII° O.T.O. comporta o Mystère Lycantropique que é praticado pelos membros do Conven Licantrópico no ápice da Pirâmide de Poder. É a capacidade do magista em transformar-se astralmente que lhe conferirá a devida aptidão para adentrar aos Portais da Árvore da Morte.

As formas divinas, normalmente, são associadas a deidades com cabeça de animais da antiguidade. Desta maneira, atavismos e forças pré-humanas manifestam-se no magista que experiência e atualiza, no plano astral, as forças e energias possuídas pelos animais em questão. Nós nos referimos a este processo como o Mystère Lycantropique constituindo o ponto de ligação entre o Tantra e o Vodu. O Mystère Lycantropique tem como manifestação o «Mistério da Ressurgência Atávica».

O Caminho Secreto através dos Qliphoth nas costas da Árvore segue o caminho para baixo, i.e. para dentro, – por isso a associação da Árvore invertida – e comporta a assunção de formas animalescas que correspondem aos «deuses» do sistema qabalístico. Esta é uma explicação válida do Lobisomem em relação a atavismos pré-humanos.

Este é um dos profundos mistérios da O.T.O. e ela confere ao magista a técnica para adquirir a maestria do plano astral durante o qual o corpo astral projetado é identificado com a forma divina de um Deus Egípcio. O Adepto que pratica a assunção da forma divina de Horus, uma das mais velhas deidades conhecidas pelo homem, sela a estrutura protoplasmática de seu corpo astral na imagem mentalmente formulada do falcão dourado (o veículo de Horus) e, nesta forma, explora os éteres sutis do universo.

A técnica para a assunção da forma divina nos rituais de evocação e banimento astral de entidades elementais e planetárias forma um dos ensinamentos mais genuínos da O.T.O.

As teorias mágicas que sustentam as fórmulas da assunção de formas divinas são de uma importância vital para compreensão do refinamento e da revitalização mágica feita por Thelema. O mascarar-se com deidades com cabeça de animais, o uso de pelos, chifres, peles, órgãos bestiais e etc. são atitudes tomadas com a finalidade de assimilar os poderes super-humanos possuídos por certos animais.

Essa fórmula que era muito utilizada pelos feiticeiros do mundo antigo causa um efeito profundo sobre a psicologia do operador. Isso porque o homem evoluiu das bestas, ele possui – profundamente aterrado em seu inconsciente – as memórias de poderes super-humanos de que uma vez possuiu. Cada animal tipifica um ou mais poderes: força e sutileza para o leopardo; visão noturna para o gato, coruja e morcego; poder de lidar rapidamente com a morte para serpente; o poder de transformação para hiena e assim por diante. Qualquer atavismo requerido pode ser evocado pela assunção da forma divina apropriada.

O processo é conhecido a Iniciados como a fórmula do Macaco Divino, sendo o macaco uma imagem da ligação primitiva entre o homem e a besta. Ele fora também um símbolo do corpo astral e da qualidade reflexiva da luz astral que imitava as imagens impressas nela através da vontade do magista. A assunção da forma divina é, portanto uma imitação do poder super-humano que é desejado evocar.

A Mitologia Clássica é repleta de exemplos da assunção sexual de formas divinas. Zeus se unia a Europa como um touro, Leda como um cisne, Asterie como uma águia e Deois como uma serpente pintada. Poseidon, como um touro, seduziu Arne; como um carneiro, Teofane. Cronos como um cavalo, cobriu Filyra gerando o centauro Chiron e etc. Existe também o mistério bíblico de Maria e a Pomba.

Esta fórmula é uma unificação mágica de consciência larval, característica das fases pré-humanas de vida, como o produto último de uma vontade humana exaltada e iluminada: a exaltação dos atavismos pré-evais para a consciência cósmica através da magia psico-sexual. A Esfinge é a mais celebrada imagem deste conceito. Crowley a descreve como a «deificação do bestial, portanto um hieróglifo apto para Magnum Opus». Em outras palavras, ela simboliza a fórmula que une e causa pela força cósmica o encontro da besta e deus através do intermédio do homem.

O uso ritual de máscaras, particularmente aquelas dos deuses do antigo Egito – um falcão para Horus, um chacal ou raposa para Anúbis, uma íbis ou macaco para Thoth, um crocodilo, dragão ou asno para Seth, um hipopótamo para Ta-Urt – é um meio de identificação com os estratos inconscientes correspondentes aos atavismos remotos.

Os magistas da antiguidade eram profundamente versados nesta técnica e formas aliadas. Através da assunção da forma e natureza da deidade, eles se transformavam em veículos da energia elemental tipificada pela deidade. Foi a frequente assunção de Crowley da forma divina de Horus, como o falcão dourado, que o capacitou a invocar as energias mágicas do Novo Aeon que estavam latentes no inconsciente racial na forma de atavismos animais.

Os animais foram às primeiras formas sensientes da corrente primitiva de consciência que procedeu de uma fonte extraterrestre. Eles eram na verdade as formas primitivas das energias cósmicas ou «deuses», suas formas divinas literais, e posteriormente à assunção destas formas pelo homem foi um método mágico de contatar a corrente de consciência que primeiro penetrou neste planeta através de «fora».

O Mystère Lycantropique da O.T.O. envolve não somente os cominhos secretos dos Qliphoth mas um grau de projeção astral voluntária denominada Voligeurs, através do qual todos os caminhos da parte de trás da Árvore são percorridos em «saltos». O segredo daqueles saltadores – na distância e na profundidade – é reunido no vevé de Marassas ou Gêmeos.1 As «Três Colunas»2 são dadas neste desenho com a Coluna central marcando a unidade. Em meu próprio trabalho eu cruzei estas três colunas com o bastão mágico de Saturno, ou Guedhé Nibho,3 de modo a produzir um modelo para os caminhos dos voltigeurs, assim como os caminhos secretos para as escolas de Iniciação Voudoo.»4 Isso nos dá um «diagrama mágico completo» da Iniciação Vodu:



A Ordem Mágica da hierarquia das costas da Árvore está sob a égide de Choronzon, Senhor do Caminho Descendente e Guardião das Colunas do Portal de Daäth. O número 333 (Choronzon) é também o número do Chacal ou da Raposa (ShGL), o hieróglifo de Shaitan-Aiwass que Crowley invocou como o Supremo Daemon de Thelema (Vontade). Daäth significa «conhecimento» no sentido que a palavra é usada na alegoria bíblica da «Queda»; o «conhecimento» que abriu os olhos do homem para a natureza criativa para o poder fálico-solar no interior de si mesmo, em especial relação com a mulher que é a manifestação externa deste poder (Śakti). Daäth é o Portal para as costas da Árvore e tem a representação planetária de Urano que é também o Portal para a magia sexual de Seth ou Shaitan que é praticada no XI° O.T.O.5

O uso dos Caminhos atrás da Árvore e a evocação das Sombras são carregados de inúmeros perigos porque, conforme observado, os Qliphoth são as sombras destes Caminhos, muitos dos quais são sem saída e sem egresso. Cair em alguma armadilha nestes caminhos é entregar a consciência as mais malignas influências encontradas pelo magista. A loucura e a morte reivindicam àqueles que se extraviam nestes caminhos. Estando o magista em um caminho sem saída, e se a força dele é dirigida ao longo deste caminho, ela retrocede contra ele como um bumerangue carregado com a força maligna adicionada as influências psíquicas agregadas por ele durante os seus «saltos».

Apesar do perigo inevitável e constante de super-simplificar estas questões complexas e ocultas, pode ser sugerido que ao passo que o aspecto ordinário da Árvore da Vida representa o Magista em relação aos seus poderes presentes e futuros, o reverso da Árvore tipifica as pré-humanas e extra-humanas influências que impingem a consciência via os Pilares de Daäth. O mínimo destas influências filtra-se, por assim dizer, para frente da Árvore, mas quando o operador passa além do Portal da Undécima Zona de Poder ele automaticamente invoca Choronzon e se torna exposto ao completo ataque de forças atávicas.

Eu explanei por diversas vezes que a prática do Sinal de Proteção nestas ocasiões pode, se vibrada corretamente, proteger o magista contra ataques hostis.

O Mystère Lycantropique envolve a assunção da forma de um Lobo (ou algum outro animal de natureza predatória) no plano astral. Adeptos da O.T.O. explicam a razão desta transformação em termos de uma necessidade de obter periodicamente os conteúdos da subconsciência perdidos ou suprimidos durante a transição do reino animal para o reino dos humanos. Antes de se classificar os dois aspectos da Árvore como «bem» e «mal», nós adotamos a atitude do Novo Aeon e observamos os aspectos sephiróticos da frente da Árvore como «positivos» e os aspectos qliphóticos de trás da Árvore como «negativos». Um magista somente se torna um Mago – no verdadeiro sentido da palavra – quando ele aprende a evocar e controlar os dois aspectos da Árvore da Vida. O Adepto da O.T.O., quando domina os dois lados da Árvore da Vida, i.e. os universos «A» e «B» torna-se um Mago criador de sistemas de mundos e planos criando através do instrumento de seus próprios corpos (magia sexual), uma nova realidade vivente e infinita. Essa criação de um universo ideal por métodos mágicos se reverte sobre o mundo da matéria, influenciando-o de tal maneira que acelera seu refinamento. Ele então cria sistemas de planos e universos mágicos o qual eu denomino como universo «C». O magista – antes de chegar a ser um Mago – habita o universo «A» ou coletivo. Quando aprende a trabalhar neste universo criando bases sólidas, já está preparado para adentrar ao universo «B». Isso é o que denomino como Ciclos de Iniciação. Quando ele domina estes ciclos de manifestação, que se diferenciam em graus de densidade, começa a criar um universo mágico próprio, o universo «C». Cada Mago, com o domínio dos universos «A» e «B» tem seu próprio universo «C» de sua própria criação que se conecta com os universos «C» dos demais Magos do passado, presente ou futuro e com os Mestres Secretos, e é dessa forma que se enriquece a Gnose Mágica através do que chamamos de «canal aberto». Estes universos paralelos ou seriados dão a possibilidade de uma visão mágico-espiritual coletiva e integra da realidade. Quando o Mago cria seu universo «C» plasma nele sua forma simbólica de visão da realidade. Converte-se em um Deus e regente deste universo que lhe serve como «meio» de referência para se comunicar com os demais Magos de dita realidade e Mestes Secretos. Então há a ampliação e aprendizagem de um conhecimento «prévio» entrando em seu mundo mágico. O universo «C» não pode ser comparado a algo do tido «Templo Astral» ou «Esfera Astral Pessoal». De maneira alguma!

As influências sephiróticas são agrupadas em forças positivas e negativas, sendo as positivas agrupadas como «Flamas da Luz» e as negativas agrupadas como «Flamas da Escuridão Refletida»: Similarmente as influências qliphóticas são conhecidas como «Sombras da Escuridão» e «Sombras da Luz Refletida», sendo a prioridade dada aos espíritos negativos no caso das Qliphoth porque eles são negativos em relação as Sephiroth. Os Magos da O.T.O. não somente veem os espíritos qliphóticos como entidades amistosas – ao contrário da opinião de Crowley que os via como «erráticos, exagerados, negativos e destrutivos» – mas também como instrumentos científicos para a criação de diversos tipos de poder de tal forma que são considerados como «Portais» que correspondem a distintos universos. Nós consideramos o centro de nosso próprio universo «C» como um mundo onde operam todo o tipo de entidade, sendo uma perspectiva pessoal o resumo de todos os universos existentes. Este universo «C» funciona como um emissor e receptor de ondas que facilitam a comunicação com as mais variadas zonas dos Círculos do Tempo e do Espaço. P.e. os doze signos do zodíaco e as constelações são universos independentes que são explorados por nós.

No VIII° O.T.O. as energias ódicas são liberadas por uma forma de massagem ou masturbação mágica que estabiliza o campo astral do magista e forma sua força magnética mais harmoniosa e tranquila. I.e., naturalmente, porque a masturbação é o que se recorre em termos de ansiedade; e é uma forma natural de relaxamento que é instintivamente aplicado na vida diária. A atividade sexual é a maior forma de terapia porque a radioatividade sexual é a mais poderosa dos campos astrais magnéticos. Na O.T.O. essa metodologia é explorada cuidadosamente porque esta forma de terapia pode ter mais do que um efeito tranquilizante ou efetivamente negativo, ela pode ser usada como uma forma de proteção contra o vampirismo sexual, que é excessivamente frequente hoje em dia devido à quebra e colapso dos antigos códigos estabelecidos para o comportamento humano. Agora mais do que nunca nós atraímos entidades sexuais de dimensões de eras passadas cujas vidas dependem da absorção da radioatividade sexual.

Nos trabalhos que venho realizando enfaticamente com a Sentinela do 27° Túnel de Seth, Parfaxitas, o desenvolvimento da fórmula do VIII° O.T.O. agora toma dimensões antes não atingidas. A fórmula de Parfaxitas é a do VIII°(+) O.T.O., que comporta a assunção astral de formas animais para reificação de energias atávicas que envolvem a mágica transformação em homens-animais pela magia sexual.

Esta operação na O.T.O. envolve o trabalho sexual solitário onde o magista veste-se com máscaras animalescas consoantes com a natureza do atavismo que ele pretende recriar. Alguns magistas da atualidade, assim como os mais remotos xamãs, vestem-se completamente com formas animalescas e bestiais para que a assunção astral ganhe mais substância. No momento da emissão da semente a forma-divina é projetada além da aura do magista e é nutrida por sua energia. Ela é reificada no plano astral e às vezes no etérico onde ela se une sexualmente com uma entidade similar projetada pela Sacerdotisa que trabalha no mesmo rito. O sucesso de uma operação dessas é raro, mas nos casos em que as entidades agem de acordo com seu objetivo existencial, o resultado deste congresso é a geração de um muito poderoso vórtice de energia nos planos astrais de consciência. Isso permite que entidades, energias super-humanas de atavismos primevos, sejam atraídas por este vórtice para se manifestarem na consciência do magista.

Parte dos Rituais da O.T.O. contém invocações mágicas que protegem o magista contra o vampirismo sexual durante o curso de suas operações mágicas. As invocações são construídas de tal maneira que as palavras formam um padrão mântrico carregado com vibrações que formam um escudo impregnado contra todos os tipos de ataques. Uma parede de luz circunda o magista, luz carregada com poder solar-fálico canalizada do Sol de nosso sistema. Os habitantes dos Qliphoth não podem apropriar-se dos fluídos sexuais ejaculados no momento do orgasmo e na hora em que os centros magnéticos positivos e negativos estão completamente em conjunção6 transmitindo uma atividade meta-sexual e eletrorradioativa. Quando vistos clarividentemente, esta parede parece um escudo de luz cintilante. A versão de Crowley para esta prática foi à assunção da forma divina de Harpocrates: um ovo de luz azul vívida salpicada com ouro; como um céu de verão sem manchas cheio de raios de luz solar. Vampiros sexuais, vendo esta parede radiante de luz, são atraídos precipitadamente em direção a ela e se destroem em pedaços, ou – se ela é especialmente carregada – são literalmente eletrocutados no impacto. Este escudo de proteção é tão perfeito que em sua impregnabilidade nem mesmo os Mestres Espirituais podem quebrá-lo para atravessá-lo. O escudo continua a existir até o momento em que o magista o bani por um ato de vontade. Neste momento a energia sexual acumulada dentro dele explode sobre a atmosfera externa criando um flash de luz astral que além de cegar, pode destruir qualquer entidade hostil que esteja ao redor do campo magnético do magista. Se não dissolvido pela vontade, o escudo astral – após sete ou oito horas – gradativamente perderá sua potência e se deteriorará, emitindo no processo um vapor branco azulado que muitas vezes é confundido com a radioatividade sexual em sua forma recém-liberada. As sombras sutis de cor das características de cada fase das emanações radioativas sexuais têm suas tonalidades mudadas em concordância com 1) a evolução e experiência do magista; e 2) com o «período» de emanação em que se encontra a construção da energia sexual. O mais recente ou de início sendo uma luz branca que cega ao passo que os últimos estágios de decadência parecem púrpura.

Devido a sua natureza fugitiva, a radioatividade sexual é muito difícil de se analisar; portanto o melhor é estuda-la enquanto está contida dentro da parede de luz protetora. O fundamento lógico do Vodu, que se relaciona primariamente com a manipulação de energias ódicas no corpo humano tem, portanto, uma relação com a radioatividade sexual. De acordo com os tântricos, a vibração lunar que emana da fêmea durante a menstruação é também altamente radioativa. Nós temos a preocupação em nosso Culto na exploração dos «runs» e «elixires». Por isso há um trabalho especifico para as Śaktis na O.T.O. que participam dos ritos mágicos.

A atividade sexual radioativa não é igual ao fluído sexual produzido pelo homem no momento do orgasmo. O fluído sexual é mágico em um sentido não desenvolvido, e deve ser bombardeado por emanações de mercúrio e nitrato de prata e sob condições completamente controladas. Também há um trabalho específico para os kālas e as vibrações lunares ofidianas.

Os membros da O.T.O. que agora estão se lançando nos trabalhos espirituais com os Túneis de Seth devem então, estar atentos, a todos os processos que implicam seu trabalho. Através do VIII°, o magista pode se proteger e se projetar para dentro dos golfos da não-existência.

A mecânica por detrás do Mystère Lycantropique, se compreendida, é a arma fundamental para sua projeção. A transformação do homem e animal aqui, de maneira alguma, pode se submeter a uma prática de simples assunção. A transformação ocorre de dentro para fora; é o transbordar de uma energia altamente poderosa e latente, uma lembrança animal de tamanha ferocidade que explode no âmago do magista. Os sentidos se perdem e os instintos se afloram em tamanha magnitude que uma transformação ocorre. Uma natural obsessão emerge e a partir daí, não há mais a sanidade, mas sim um completo estado de consciência animalesco que transcende a razão destruindo todas as formas de força racionais. Neste estado o magista é puro, desprovido das amarras sociais, livre para saltar por todo um iniverso de sombras, livre para ser o que sempre foi!

Que o magista, armado com a baqueta de poder, possa regozijar-se no êxtase de sua transformação; e que a partir daí, não seja mais um homam, mas sim um animal!

Corra pelos Túneis em direção a liberdade, penetre nos véus que separam os golfos do vazio e se una a uma completa expansão de consciência ainda não experienciada, pois lá, Deus é Não!


Soror Tanith, 789 ‘.’ IX° O.T.O. Alta-Sacerdotisa do Mystère Lycantropique.


Notas

1. A fórmula dos Gêmeos é fundamental nos Cultos Draconianos da África primeva. Ele foi continuado no Egito como o complexo Seth-Horus. O sinal dos Gêmeos (Gemini) é de particular referência no Novo Aeon. Em A Doutrina Cósmica, Dion Fortune observa: «Ter em mente [...] o Sinal de Gemini, pelas forças significantes que este Sinal influenciou a antiga Atlântida e ainda influenciará a Terra no fim da presente era».

2. As Três Colunas da Árvore da Vida.

3. Nibho ou Nimbo é uma palavra de origem Sânscrita mahā, i.e. «grande». Na língua Kwa de Camarões, local de origem do Culto que em Cuba é chamado de Abakuá, o termo utilizado é Ndibó. No Vodu este termo somente é usado para definir Loas da família Guede ou Guedhé. Essa palavra também esta relacionada com a palavra Vodu Ibo, que significa «fala» ou simplesmente «palavra», ainda que com diferença por causa da fala diferenciada de vários dialetos. Os Ibos eram de uma tribo Nigeriana que tinham o costume de engolir a língua ao serem capturados como escravos. No Vodu Loa é Lei – fato que pode ser relacionado ao «AL vel Legis» – ainda que de forma similar a deuses de distintos panteões. Sobre tudo, no Culto da Serpente Negra ele é uma lei lógica relacionada com os poderes internos e divinos. Guedhé Nibho é o mais elevado Loa do Vodu, é associado à sexualidade humana ou energia sexual. É o Deus do nascimento e da morte e nas Dinastias Draconianas está associado a Konsu (o viajante do céu noturno, i.e. a Lua). Ele está relacionado com o Norte do espaço e com o elemento Terra. Como rege os aspectos da psique de Eros e Thanatos, é o manipulador da energia transformadora que dá e tira a vida. A possessão por este Loa pelos Adeptos do Culto da Serpente Negra traz a luz do conhecimento que brilha na escuridão, pois ela somente pode brilhar sobre o fundo da escuridão e não podem ser separadas. A fascinação pelo negro e a morte pelos devotos de Guedhé não é mais do que uma tendência intuitiva de se aprofundar nos abismos insondáveis da própria natureza interna. Ele está relacionado com os Cultos Primevos de Shaitan e na Umbanda, uma correspondência lógica é ao Orixá Yorimá. Entretanto, para se compreender suas funções espirituais, há que se fazer um profundo estudo sobre o sistema de magia do manipulador dos entrecruzamentos vibracionais, i.e. Exu.

4. Michael Bertiaux. (O Vodu descrito neste artigo é proveniente de uma escola de mistérios iniciáticos, portanto, diferente do Vodu Tradicional. A O.T.O. incorpora em seus Graus mais Altos o Culto da Serpente Negra para se trabalhar com o Vodu. Tais práticas, atualmente dentro da O.T.O., estão completamente alinhadas com a filosofia Thelêmica.)

5. O XI° O.T.O. não comporta necessariamente o uso de fórmulas homossexuais; ao contrário, ele envolve o uso da yoni em sua fase lunar, esta é a fórmula do «outro olho», ayin ou yoni, que é conhecido pelos iniciados da Corrente Ofidiana como o «Olho de Seth».

6. I.e. quando o macho e a fêmea se unem os terminais gêmeos de suas respectivas zonas de poder.


Referências bibliográficas

AGRIPPA, Henrique Cornélio. Três Livros de Filosofia Oculta. Madras Editora, 2012.
CROWLEY, Aleister. Liber CCCLXVII De Homunculo. Tradução Particular de Fernando Liguori.
_________. Magia Em Teoria & Prática. Tradução particular de Fernando Liguori.
FATORI, Roberto. Paracelso: Complete Works. Midia Books, 1996.
GRANT, Kenneth. Aleister Crowley & o Deus Oculto. Tradução Particular de Fernando Liguori.
________. Cultos da Sombra. Tradução particular de Fernando Liguori.
________. Outer Gateways. Skoob Books, 1994.
MONTEIRO, Hélio. Elementares Artificiais. Em Jornal de Magia Cerimonial de Juiz de Fora. Satvrnvs Publishing, 2005.
NOWICKI, Dolores Ashcroft & Brennan, J.H. A Magia das Formas-Pensamento. Editora Pensamento, 2013.







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