domingo, 21 de setembro de 2014

O Culto Draconiano do Antigo Khem




Por Kenneth Grant
Tradução de Fernando Liguori

Cults of the Shadow, Capítulo 3. Frederick Muller, 1975


O Culto Ofidiano do interior da África foi continuado e desenvolvido no Egito, onde ele alcançou sua apoteose na Tradição Draconiana ou Tifoniana.

Antes de considerar os principais aspectos desta vasta e antiga corrente mágica na sua forma Draconiana é necessário relembrar diversos importantes fatores. Primeiramente, como Gerald Massey demonstrou,[1] nenhuma leitura ou interpretação bem sucedida da Mitologia Egípcia, simbolismo, pensamento ou história, é possível sem primeiro certificar-se de qual grandes estratos de evolução ela pertence. Os quatro são: I. o extrato do Culto Sabeano ou Culto Estelar que transportou da África os Mistérios totêmicos e pré-evais cuja alusão já foi largamente feita.[2] Eles eram basicamente de natureza zoomórfica, daí a natureza predominantemente bestial das constelações nomeadas pelos Egípcios. O Culto Sabeano foi o culto da Deusa-Mãe das Sete Estrelas mais o seu filho, Sírius, a Estrela-Cão. Sírius foi representado pelo deus Set cujo símbolo foi a Deusa – sua própria mãe – quem ele supostamente fecundou, não havendo neste estágio primordial da humanidade nenhum conhecimento do papel do macho no processo de procriação. Neste período, o tempo era medido pela ascensão e declive de certas estrelas. II. O Culto Lunar seguiu-se o Culto Sabeano. As estrelas foram substituídas pela lua como um modo mais preciso de computação do tempo. Os mecanismos de paternidade ainda eram um mistério e era desconhecido que a lua não brilhava por sua própria luz. Supunha-se que ela se renovava nos céus ao dar a luz ao seu filho auto-concebido com o qual ela periodicamente se enchia. O deus lunar Thoth, Senhor da Dupla Luz[3] substituiu Set como o principal guardião do tempo. Thoth, o macaco com cabeça de cachorro ou cinocéfalo era a continuação do fenekh ou a raposa do deserto como um símbolo de Set. III. O estrato Luni-Solar foi alcançado quando tornou-se conhecido que a intervenção do macho era necessário para a procriação, embora a paternidade individualizada não houvera sido estabelecida até que o tempo ‘lunar’ desse caminho para o tempo ‘solar’. Aqui a extensão correta do ano fora compreendida.[4] IV. O Culto Solar, com ênfase na criança ser filha do pai antes do que da mãe, causou uma importante reviravolta na história da humanidade. No antigo Egito, muito antes dos tempos monumentais, contínuos e mortíferos conflitos resultaram dessas duas grandes divisões: a adoração Draconiana ou Tifoniana do principio feminino, e os partidários Amonitas ou Osirianos da supremacia masculina.

Depois de muitos séculos, a deusa estelar e sua prole foram considerados destrutivos devido a sua falsa condição de guardar ou manter o tempo. Isso foi interpretado em níveis éticos nas questões humanas como o mal causado por não guardar ou manter o tempo em um sentido sexual, e a origem da morte e doença foi associada com o culto primêvo. O culto primêvo foi conseqüentemente soterrado pelos Solaritas que gradativamente suprimiram os Tifonianos e exaltaram o deus como criança do pai, primeiro sobre a terra e posteriormente nos ‘céus’. Isso levou eventualmente a uma glorificação fanática do princípio masculino que lentamente debilitou a mais forte civilização que o planeta já conheceu, e que tem continuado a exercer uma misteriosa influência até os dias atuais. Contudo, é importante compreender que o Culto Solar já estava florescendo no Egito quando a era dos monumentos começou.

Um vasto período de tempo separou estas quatro fases ou extratos da Tradição Oculta no Egito. Alguma idéia de sua extensão pode ser obtida através da observação do fato que os sacerdotes Egípcios mantinham registros precisos dos fenômenos astronômicos que se estendiam mais de 52,000 anos antes da morte de Sócrates em 400 a.C. Durante este vasto período de tempo, ondas após ondas de colonizadores deixaram o Egito e distribuíram-se pelo globo deixando por onde passassem o despertar de reminiscências destas quatro tradições mágicas. Ao leitor é indicado os trabalhos de Gerald Massey que contém uma exaustiva contribuição para este assunto.

O constante conflito entre o Culto de Set e o Culto Solar dividiu o Egito em dois, na medida que um e depois o outro lutavam pela supremacia. Mas embora o regime solar pareceu alcançar a vitória final, e a escatologia dos Egípcios se fundiu, posteriormente, na era do Culto da Cristandade, existem hoje sinais de um renascimento – em um aspecto moderno – do Culto Sabeano que exaltou a Deusa Suprema. Aleister Crowley, o representante moderno desta antiga corrente, antecipou este nascimento assumindo novamente o papel de Sacerdote e Profeta proclamando o advento do Aeon de Horus, a Criança Coroada e Conquistadora.
Horus é a forma Grega do Egípcio Har, Khar, ou Khart, significando ‘criança’. O termo foi aplicado originalmente ao filho da mãe no primêvo Culto Sabeano das Sete Estrelas e seu primeiro filho, Set, tipificado pela Estrela-Cão.

Horus se tornou um nome para o ‘filho’ como o sol somente após o culto da Deusa ser suprimido pelo culto do Deus. A natureza da criança foi determinada originalmente pelas observações astronômicas e variou de acordo com a posição do sol no tempo do equinócio vernal. Como um raio de luz branca assume diferentes cores ao passar por um prisma, o sol assumia diferentes aspectos de acordo com a posição do colurio vernal. Assim, em um senso astronômico, Har ou criança foi identificado com o Touro (Taurus), o Carneiro (Áries), o Peixe (Peixes), o Bode (Capricórnio), de acordo com a constelação que formou o prisma no tempo do nascimento. A introdução súbita e inesperada da adoração de Sebek-Ra, o Deus Cabeça de Carneiro, no início da XIIIª Dinastia, até o fim da XVIIª Dinastia, marcou a mudança do colurio que ocorreu em 2410 a.C., quando o sol deixou o signo de Touro e entrou no de Áries. Por tal cálculo tem sido possível datar a inauguração da era de Mena, a Iª Dinastia, pela entrada do sol em Touro em 4565 a.C. A extensão do tempo entre estas duas datas – um período de 2,155 anos – é aquela em que o sol leva para atravessar um dos doze signos zodiacais. Horus então simboliza o poder solar criativo mais as características da Casa na qual ele permanece por um espaço de 2,155 anos. Cada Faraó que seguia a linha de sucessão foi à incorporação viva do Phar ou Har, conforme evidenciado pelos nomes que adotavam. No caso da XIIIª Dinastia ou Dinastia Sebek, não menos que dezoito Faraós possuíam o nome da deidade com cabeça de carneiro.

Mas Har possui um significado oculto. A criança e a semente são sinônimos. A criança denota, simbolicamente, à vontade-botão ou a ‘vibração’ da semente latente na energia criativa do magista (ou sacerdote), e a natureza de Har é determinada pela direção da vontade do Sacerdote no momento de sua projeção na matriz do ventre. A formula de Horus, a criança, é portanto uma fórmula mágica que envolve o uso da energia fálico-solar. Seu mecanismo completo não foi ainda melhor explicado do que nos Tantras Indianos, e no Ocidente através de Aleister Crowley, um dos principais expoentes da Corrente Ofidiana nos tempos modernos.

Os momentos de concepção e nascimento são intimamente relacionados, não somente de um ponto de vista astrológico mas também em um nível mais arcano da magick sexual. A influência do sol nas casas zodiacais é de importância vital para determinar a natureza do Har e daquela ‘outra’ criança cuja produção mágica tem sido a meta dos ocultistas de todas as eras.

Os Tantras Indianos continuaram o Culto Sabeano da criança da mãe solteira, provavelmente porque o Culto foi transportado do Egito em um período anterior as dinastias solares. No próprio Egito, a tradição patriarcal com sua ênfase no princípio masculino desenvolveu o Culto da Trindade que consistia no Pai, na Mãe e no Filho. Posteriormente, a versão cristã suprimiu o componente feminino estabelecendo o patriarcado absoluto que dissolveu a completa Tradição do Mistério e levou a infecção da civilização com credos desequilibrados de autoridade totalmente masculina e a abolição de todos os elementos femininos que pertenciam à natureza. [5]

As Sete Estrelas da Ursa Maior[i] junto com Set, a Estrela-Cão, como o anunciante anual da Deusa, foram refletidos sobre a terra como os dezesseis Santuários de Osíris – oito no Alto Egito e oito no Baixo Egito. É provável que estes santuários tivessem sido energizados por correntes específicas do Culto de Set-Tifon. Estas correntes eram sem dúvida determinadas pela significação mágica do membro particular do deus que santificou o nomo[ii] no qual ela foi preservada. É provável que centros deste culto representaram um modelo particular em um organismo (i.e. Egito) das zonas de poder globais dispostas em outras partes da Terra. Mitos e remanescentes monumentais em muitas partes do mundo antigo sugerem que colonizadores Egípcios depois de se estabelecerem nas terras queimadas,[iii] se espalharam em lugares distantes do mundo transmitindo a Corrente Draconiana adorando seus deuses nas formas zoomórficas amplamente consideradas por considerações topográficas ou outras. A interpretação das características ocultas da tradição do Mistério Universal mascarou-se nos antigos Mistérios Maias, Chineses, Hindus, Escandinavos, Druidas, Tibetanos, Mongóis e etc., revelando em toda parte a cisão subjacente que teve sua origem no antagonismo primêvo entre os Cultos da Sombra e os Solaritas; aqueles que seguiam o caminho da Deusa (o Vama Marga), e aqueles que a negavam exaltando o principio masculino e se supunham superiores a todos os outros.

Os dezesseis nomos tinham a função de funcionar como um sistema de ‘controle remoto’, tendo o Egito como coração. De acordo com algumas autoridades os nomos foram quatorze em número, em cada caso as Sete Estrelas da Deusa foram refletidas sobre ambas as terras (o Alto e Baixo Egito), constituindo as quatorze zonas de poder. Eles constituíram os quatorze Santuários, cada qual dos quais continham um dos membros de Osíris, o deus lunar desmembrado por Tifon. Cada membro representa um digito ou dia da meia lua, o décimo quinto sendo simbolizado pela própria Deusa. Os dias das quinzenas brilhantes e escuras constituem os vinte e oito apartamentos da mansão lunar – a Casa de Osíris – a luz nas trevas, o senhor da morte no submundo.

A corrente mágica iniciada e manifestada no Egito como Culto Draconiano, é o mesmo Culto do Dragão ou o Culto da Serpente de Fogo. Este Culto representa a primeira manifestação sistematizada dos primitivos mistérios Africanos que os Egípcios elaboraram em um sistema altamente especializado de ocultismo que floresceu finalmente nos Tantras da Índia, Mongólia, Tibet e China.[6]

O Culto Draconiano se desenvolveu através da concentração do conhecimento derivado da observação cuidadosa de fenômenos físicos se estendendo através de grandes ciclos de tempo. O conhecimento obtido foi baseado em um modo primitivo de magnetismo, intercurso com espíritos, manifestações elementais vistas através de clarividência. O duplo humano (i.e. o corpo astral) era um fato natural observado, não havendo nada de sobrenatural a respeito dele. Sobre ele foi baseado a escatologia religiosa da sobrevivência espiritual após a morte.

Este corpo de conhecimento, acumulado durante muitos séculos, foram incorporados amplamente aos símbolos zoomórficos que eram familiares aos iniciados do velho mundo. Os Adeptos do Extremo Oriente, África, Egito e América do Sul tipificavam os ‘segredos’ da natureza em formas de flora ou fauna, as diferenças das quais eram condicionadas somente através da topografia local. Obviamente, p.e. a leoa da África que se tornou um símbolo para os Egípcios do feroz calor do sol no solstício de verão não poderia ter sido usada como um símbolo para os Esquimós. Os segredos mágicos do panteão Africano foram transportados para ‘dentro’ dos Mistérios Egípcios e apareceram, eventualmente, no panteão Egípcio como deidades com cabeça de animais do Vale do Nilo.

A África consistia de uma aglomeração de tribos que lutavam incessantemente entre si mesmas. Elas possuíam vários tipos de totens, inclusive os zoomórficos, e a transição das tradições matriarcais primitivas – com suas deusas estelares e lunares – ocorrera muito antes do advento do sistemático culto patriarcal tais como aqueles dos povos de Yorubá e Benin discutidos no capítulo anterior. Porém o conflito entre os povos pré-totemicos e estelares, e os posteriores cultos ou sistemas excessivamente orientados para o princípio masculino, foram transportados para o Egito e persistiram durante um grande período de tempo na era pós-dinástica. Foi o conflito entre os devotos do sol e aqueles devotos da lua e das estrelas que determinou a natureza de todos os cultos posteriores não importando o quão civilizados sejam em suas formas finais. Os conflitos entre Ifa, a Deusa, e a forma posterior Ife, o Deus, foram refletidos em aeons posteriores nas guerras asiáticas entre os yonicaras e os lingacaras.[7] No Egito este conflito assumiu vastas proporções e foi perpetuado das eras pré-dinásticas até a derrocada final do Culto Draconiano por volta da XVIIª Dinastia.[8]

Em tempos dinásticos posteriores o Egito foi dividido em 36 nomos de dez divisões cada. Isto representou uma transferência para a terra do simbolismo celestial dos céus como um Círculo de Nuit, a Deusa do Espaço Infinito.[9] Nuit era uma deidade primordial que fora tipificada celestialmente pela constelação de estrelas agora conhecida como Ursa Maior. As sete estrelas deste complexo simbolizavam a Noite ou Tifon e seu enxame de estrelas, a qual em tempos posteriores foi adicionada à estrela de seu primeiro filho macho, Set ou Sothis. Foi ele quem manifestou no Sul a luz da Mãe que reinava no Norte, e que era a primeira a dar a luz na escuridão e ele o primeiro guardião do tempo: a Sabeana Mãe, Tifon, e seu filho, Set. Seu nome em egípcio era Khept ou Kheft,[10] do qual a palavra diabo deriva. De acordo com Massey:

A origem do Diabo é o resultado da deusa sem o deus; assim Kheft, a Grande Mãe, fornece o nome do mal, o inimigo, o Diabo. Os adoradores da Mãe eram os ‘sem deus’, daí taxados como demoníacos.

Tão forte fora este Culto Africano primêvo da Mãe das Sete Estrelas, e por tão longas eras ele permaneceu, que Khebt ou Kheft se tornou o nome do próprio Egito, e o seu primeiro nomo terrestre fora dedicado à estrela Sothis, a Estrela-Cão que representava o filho da Mãe, cuja forma mais antiga era a deusa das sete estrelas.

Os primeiros nomos mapeados no Egito em sua fase primitiva de desenvolvimento receberam os nomes das Sete Estrelas, quando o tempo ainda era medido pelas estrelas. A ‘Geografia Física’ fora estabelecida na forma feminina e o Egito fora mapeado depois que a uranografia celestial elaborada tivesse sido configurada nos céus pelos Sacerdotes que observaram, por períodos incalculáveis de tempo, as progressões e retrogressões dos corpos celestiais. Foi durante o estágio Sabeano da história Afro-Egípcia que o Culto Draconiano emergiu como uma máquina mágica, precisa, profunda; tão verdadeiro em seus fundamentos que as fases subseqüentes da história Egípcia foram totalmente incapazes de obliterar as origens Tifonianas de sua sabedoria prístina.

Os sete nomos primais foram adicionados quanto a Lua substituiu as estrelas como guardiã do tempo e as 28 mansões lunares foram refletidas nos céus acima e distribuídas na terra abaixo. A distribuição final ocorreu durante a fase solar da história Egípcia que já era conhecida como o início do período monumental. Nesta fase final, quando o círculo solar havia sido completado nos céus, o número de nomos aumentou para 36. O céu solar, Sekhet Aahru, os ‘Campos Elísios’ e seus 36 portais foram fundidos nos 36 decanatos do zodíaco. A ‘criação’ desta região – Sekhet Aahru – foi efetivamente o mapeamento do círculo zodiacal.

A Deusa Sabeana Tifon com seu enxame de sete almas ou estrelas precedeu os mistérios lunares como os quatorze passos que ascenderam e descenderam do Templo da Deusa 15:[11] os dias ou passos da quinzena iluminada e os dias ou passos da quinzena sombria estando divididos, no décimo quinto dia, através da Lua Cheia. O Sekhet Aahru ou a Casa de Sekhet[12] fora dividida em 15 Atus e estes se transformaram nos Atus de Thoth que fora a forma lunar de Set, o filho de Tifon. Thoth moldou o zodíaco lunar e estabeleceu a lua ou o mês. Thoth, entretanto, fora substituído por Khonsu,[13] a criança ou filho do sol e da lua, portanto, o representante da Corrente Luni-Solar.

Nos monumentos antigos, a deidade lunar – Thoth – representava a quinzena iluminada ou a lua em sua primeira metade; a quinzena sombria, a lua minguante, era representada pelo cinocéfalo ou o babuíno com cabeça de cachorro. Estas imagens deram ascendência ao conceito do homem na lua seguido por seu cão. Neste simbolismo é possível se ver o fundamento de uma metafísica mágico-sexual elaborada dos Tantras do Extremo Oriente que eram um desenvolvimento do Culto Tifoniano. A influência da lua e suas fases, e o cinocéfalo que tipificava a conjunção luni-solar são fenômenos que retomam a gama completa da Magia Draconiana. Horapollinis[14] observa que os Egípcios simbolizavam este evento astronômico através de um babuíno ‘sagrado’:

No exato momento da conjunção da lua com o sol, quando a lua se tornava não-iluminada, o macho cinocéfalo não via e não comia, somente curva-se ao chão entristecido pela violação da lua. A fêmea, em adição ao fato dele ser incapaz de ver ou comer e ao mesmo tempo afligida nas mesmas condições do macho, emitia sangue de sua vagina; em virtude deste acontecimento, os cinocéfalos eram criados nos Templos afim de que a partir deles pudesse ser certificado a conjunção do sol e da lua. Quando a lua se renovava, os cinocéfalos saiam do chão e na postura ereta, levantavam suas mãos para o céu de maneira que parecia se formar um diadema acima de suas cabeças. Assim a renovação lunar era simbolizada pela postura ereta do cinocéfalo que adorando a deusa, saltitava por ter novamente adquirido a luz.

A lua nova fora atribuída a outro familiar de Thoth, a Íbis. Os Egípcios observaram que este pássaro administrava seu próprio clister. Idéias de purificação associadas com a natureza feminina e com um ciclo completo de tempo ou período, indubitavelmente propiciaram a escolha do símbolo. O nome da Íbis no Egito é Tekh, a forma densa de Tesh, significando cruzamento, fronteira ou limite. Tekh é um outro nome de Thoth, e Tekhi – a forma feminina – é o nome de uma deusa Egípcia que presidiu os mistérios femininos e em particular o período mensal. Entretanto, a Íbis era um glifo da Fênix ou Pássaro Bennu, que algumas vezes era conhecido como o pássaro do retorno relacionado aos Ciclos do Tempo. Foi Thoth que estabeleceu o tempo ‘lunar’ quando o Culto Sabeano das Estrelas fora suprimido, i.e. quando foi descoberto que a lua era um medidor do tempo mais eficaz, por tanto mais confiável, do que as estrelas; e Thoth foi seguido por Khonsu, a criança da conjunção do sol e da lua, e a deidade do tempo luni-solar. A natureza convexa da lua foi representada pelo Babuíno de Thoth em seu período minguante, e pela Íbis no período crescente. Estes períodos de dualidade lunar eram o círculo completo que havia sido primariamente descrito pelas estrelas circumpolares da Ursa Maior, a Deusa que precedia todas as outras formas de deidade. Um de seus nomes, Ta-Urt, significa Mãe das Revoluções e é ainda subsistente na palavra Tarot, ou o Livro de Thoth, que se refere aos mistérios e Ciclos do Tempo e que tem sido usado por videntes de todas as eras com o propósito de se prever o futuro não menos do que interpretar o passado.

Longas eras antes do estabelecimento do círculo lunar, o nome da Deusa era Serk. Seu nome significa ‘o Escorpião’, e este aracnídeo foi o primeiro determinante zoomórfico do Equinócio Ocidental como o local do pôr-do-Sol. Serk foi a abertura do mundo subterrâneo (Amenta) no Ocidente, e como tal ela era o primeiro determinante do Portal de ingresso e egresso dos espíritos, e portanto a origem do círculo mágico, o qual seu nome implica.

O círculo mágico da tradição anterior – Draconiana – não era uma barreira contra forças externas mas um contêiner das emanações do magista; era também um Portal de ingresso e egresso de influências incoativas, chthonianas, telúricas, e extraterrestres, pois os próprios corpos celestiais eram vistos desaparecer no mundo subterrâneo através do Círculo de Serk.[15]

A Estrela-Cão era consagrada a Serk, que era identificada com a Deusa Primal, Tifon, e que os Gregos identificavam como Sothis, combinando assim a Mãe e o Filho (Set) em


Figura 2: Serk, a Deusa do Círculo, por Steffi Grant

apenas um nome. O verdadeiro círculo mágico marcou uma real zona de poder na superfície da terra; os próprios nomos eram tais zonas de poder, cada um possuindo um Templo e uma deidade respectiva para presidi-lo para a canalização e erupção de forças. A natureza sexual das influências no trabalho nos limites do círculo eram determinadas pela natureza de Serk, a primeira Deusa do Círculo, cuja forma zoomórfica era o escorpião, que tipifica as forças reprodutivas no homem. O simbolismo do fogo conectado ao escorpião é uma indubitável referência a Serpente de Fogo que reside nesta zona de poder. Circe com seu encanto sexual também comporta este simbolismo; além de ser significante que esta feiticeira transformava os homens em suínos. O porco ou suíno era um símbolo de Hekt, uma deusa lunar que posteriormente fora tipificada pela rã, devendo sua força de transformação no mundo natural. Era inevitável que Hekt deveria dar o seu nome ao tipo supremo de todos os transformadores de uma natureza dual, i.e. a lua. Hekt aparece em sua forma Grega como Hecate, na Germânica como Hexe, e no nome do Deus da Magia que os Gregos chamavam de Hikê. Hikê era conhecido pelos Egípcios como uma essência vital transmitida pela Fênix de uma região mágica inacessível. Em um texto encontrado em um caixão, a alma triunfante exclama:

Eu venho da Ilha do Fogo, tendo preenchido meu corpo com Hikê, como ‘aquele pássaro’ que preenchera o mundo com aquilo que ele não conhecia.

Os Gregos adotaram os Mistérios do antigo Egito e os transformaram em fábulas, o Hekt ou transformador ficou subsistente no Egípcio Ur-Hekau, O Poderoso dos Encantamentos,[16] o protótipo da Baqueta Mágica e o instrumento sagrado a partir do qual o Sacerdote abria a boca dos mortos transformando a múmia em um Khu (espírito) vivo.

O escorpião, o porco e a rã, deram seus nomes ao Círculo e a Baqueta Mágica do magista, i.e. sua força de encantamento e sua força para transformar. Mas estes não foram os únicos zootipos a persistirem nos Mistérios posteriores. A Espada ou a Foice eram objetos mágicos baseados na imagem da Grande Mãe, ou melhor, na sua anatomia celestial, pois ela era delineada literalmente na ‘Coxa’ da constelação das Estrelas Polares. A Mãe era o cutelo ou cortador, ela dividia a si mesma como mãe e filho. A coxa ou fêmur, o emblema em forma de foice de sua origem celestial foi o protótipo para o glifo de Saturno, seu representante planetário, e para os números três e quatro, que pelo formato sugerem formas de foice. Três é um número da Grande Mãe ou Saturno.[17] Cinco é um número de Marte. Ambos os números se aplicam ao fenômeno da periodicidade feminina. Marte, como energia carregada, simboliza predominantemente a energia sexual. A atribuição a Marte do derramamento de sangue no sentido de guerra e violência é um desenvolvimento posterior do simbolismo fundamental. Os primitivos derramamentos de sangue eram sacrificiais[18] no sentido que eram sexuais; o primeiro cutelo ou a fissura era o feminino que sangrou ao ser ‘fendido’ no tempo da puberdade.[19]

Estes mistérios são de uma natureza qabalística e numérica e podem ser explicados com profundidade por uma Tradição somente, a Tradição Draconiana, os mistérios dos quais eram de uma natureza essencialmente física – não metafísica.

Os quatro elementos dos quais o magista conjura o quinto, a saber: espírito, ou o espírito (pois um feiticeiro é primariamente um conjurador de espíritos), são explicáveis somente com referência a bioquímica da Tradição Draconiana. Água, o místico fluído da vida, simboliza o sangue; não o sangue arterial – nenhum espírito jamais tomou o corpo daquela forma – mas sangue menstrual: o menstruum primal de manifestação da qual o espírito se torna carne. O elemento Terra é atribuído à carne, como sangue coagulado, um líquido transformado em sólido através do encrostamento se tornando a incorporação viva do espírito.[20] Os simbólicos bolos de luz têm como ingrediente fundamental o sangue menstrual.[21] Ao espírito que energizava a água primal com o princípio da vida os Egípcios do culto Solar atribuíam ao elemento Ar. Mas originalmente, i.e. antes que o papel do macho no processo de reprodução tivesse sido compreendido e reconhecido, o Ar tipificava a segunda fase da fórmula feminina, como Água (i.e. sangue) que caracterizava a primeira. Água representava a virgem pubescente, sangrando e molhada; Ar caracterizava a gestadora, a mãe, seca, inchada ou inflada com o vento. O elemento Fogo foi o símbolo da vontade e uma adumbração da energia da Serpente de Fogo, invocada, ligada e impregnada nos outros elementos pelas palavras mágicas do magista. A fusão da Água, Ar, Terra e Fogo resultaram na produção ou manifestação do espírito ou um espírito.

Os quatro elementos foram atribuídos aos quatro ângulos ou quartos de um lar ou uma casa primitiva (i.e. a terra), formando a primeira Cruz. O hipopótamo ou o Apto Africano foi o símbolo do primeiro domicilio, cama, o ventre primal, como o arco de quatro pernas ou facetas fora uma forma primitiva da Mãe. Isto foi mais tarde estilizado no Egito como o símbolo de Nuit arqueada sobre a terra. Assim, as quatro pernas da besta (Apt) foram descritas na forma de uma deusa na imagem de uma mulher se curvando sobre a terra, ou na postura característica de ‘dar à luz’. Esta era Nuit cujo filho-sol nascia diariamente entre suas coxas. A palavra arco ou orach (Hebraico) é aplicada ao período feminino,[22] e Arksha (Sânscrito) significa ‘regulado pelas estrelas’, enquanto nos Mistérios Gregos Arke era a Mãe dos Deuses.

A deidade mais antiga era de uma natureza biuna e era representada por Tifon, Deusa das Sete Estrelas no Norte, e por seu filho, Set, a Estrela-Cão Sothis, o Guardião do Sul.[23] Este deus biuno precedeu toda concepção de deidade que houvera existido; ele era o protótipo no Egito de Nuit e Hadit que deram continuidade à tradição da criança sem deus, i.e. o filho da mãe antes que a paternidade individualizada tivesse sido estabelecida. Esta concepção inicial de deidade era feminina e portanto literalmente sem deus, pois nenhum deus naquele tempo era conhecido. Em eras posteriores os Adeptos do Culto Draconiano foram difamados e considerados diabólicos devido a sua condição de ‘ausência de deus’.

O antagonismo continuo e assassino entre o Culto de Set e os posteriores Cultos Solares de Osíris e Amon que representavam o ‘Pai no Céu’, como o homem representava o pai sobre a terra, resultaram na dissolução gradual do Egito. O registro de luta e derramamento de sangue causado por essa rincha inicial na consciência de humanidade nas religiões primitivas resultou no silêncio total da história em relação àquelas dinastias nas quais os Draconianos possuíam total influência. Os Governantes não eram de fato soberanos alienados, mas adeptos naturais deste mais antigo Culto o qual mais tarde os Amonitas detestaram ‘pelas suas práticas bestiais e ritos sem deus.’

O Culto Draconiano em seus primórdios havia aparecido no Egito em um período anterior a Mena[24] por 13,420 anos. Sua influência não cessou com a ascensão da Dinastia de Mena, embora os séculos que se seguiram os Osirianos e Amonitas gradualmente ganharam o poder e suprimiram o Culto Draconiano rival. Na VIª Dinastia os Draconianos voltaram ao poder. A partir de então até a XIª Dinastia uma grande proporção de acontecimentos parecem ter sido perdidos dos registros históricos, uma lacuna vazia foi deixada na história da humanidade devido aos sucessivos atos terroristas e vingativos dos Osirianos que, na XI° Dinastia, metodicamente destruíram todo traço, seja ele monumental ou não, do Culto Draconiano de seus rivais. No reinado da Rainha Sebek-nefer-Ra no início da XIIIª Dinastia os Draconianos retornaram com força total. Esta Rainha era uma iniciada dos mais profundos Mistérios do Culto, e tal era seu temperamento que ela se deleitava ao assumir o papel de Grande Mãe.[25] O início de seu reinado marcou o começo da XIIIª Dinastia que fora conhecida como a Dinastia Sebek porque neste tempo, após um período de 2,155 anos, o sol começou a ascender no signo do Carneiro no colurio vernal, tendo passado do signo de Touro para o de Áries. O lugar da ascensão[26] do sol no tempo do equinócio vernal determinou sua forma divina, e a constelação do carneiro que constituiu o local de nascimento do início da XIIIª Dinastia, supriu a forma zoomórfica do sol, ou filho, da Mãe em sua forma de espaço infinito (o céu). A Sabeana forma de Set – como Sevekh – que havia sido representada como a imagem Draconiana do crocodilo adorado em Fayyûm agora continuava na forma do cabeça de carneiro Sebek-Ab-Ra. Ab-Ra (Abra), significando que o cordeiro ou carneiro de Ra era um terminal nominal usado pelos Sebekhepts (devotos de Sebek) da XIIIª Dinastia. Abra significa literalmente cordeiro ou carneiro (ab) do sol (Ra); ele implica que o carregador do sufixo era um devoto de Sebek, o filho da Deusa das Sete Estrelas.[27]

Como uma designação da energia fálico-solar Abra sobreviveu aos tempos dinásticos por muitos séculos e foi perpetuada pelos Gnósticos sendo incorporada por eles na celebração da palavra de poder mágico Abracadabra. Aleister Crowley, que restaurou muitos ‘nomes bárbaros de evocação’ sustentava que substituindo o ‘h’ por ‘c’ em Abracadabra,[28] ele havia descoberto o verdadeiro nome divino da fórmula de Had, a forma Caldéia de Set, que os Sebekhepts haviam adorado. Crowley identificava a si mesmo como o Grande Dragão das Profundezas do qual o crocodilo foi um símbolo, e seu zootipo foi continuado pelos Cristãos como a Besta do Abismo.

A Rainha Sebek-nefer-Ra foi a perpetuadora (Nefer) de Sebek, o deus de Fayyûn,[29] na forma do Ra fálico-solar, cujo totem foi o carneiro. Sebek-nefer-Ra foi o primeiro Sebek real em todos os monumentos, e o reinado dos Sebekhepts continuou até o fim da XVIIª Dinastia.

Foi durante o reinado da Rainha Sebek-nefer-Ra que o Culto Draconiano atingiu sua maior apoteose. Durante as quatro dinastias posteriores o culto desenvolveu sua doutrina mágica ao longo de linhas que iriam mais tarde aparecer na Ásia em sua forma Tântrica. O poder temporal do culto declinou no fim da XVIIª Dinastia. Sua força foi extinta quando o Rei Apófis[30] foi derrotado pelas forças Osirianas dirigidas por Aahmes, um General dos marinheiros do primeiro Rei (também chamado Aahmes) da XVIIIª Dinastia.

A questão é por que os Draconianos se prenderam a sua adoração da Mãe e Filho em face da oposição devastadora daqueles que haviam desenvolvido suas idéias religiosas por observações astronômicas posteriores e mais precisas e o conhecimento mais avançado de fisiologia que acompanhou o estabelecimento na sociedade da paternidade individualizada? Este desenvolvimento somente ocorreu aparentemente, pois embora os Osirianos e Amonitas fossem responsáveis por reformular a sociedade sobre bases patriarcais, isso não mudou em maneira alguma os processos mágicos profundamente complexos relacionados com as energias sexuais, e estes processos foram a real causa das constantes perseguições que os Draconianos sofreram nas mãos dos Amonitas. Nas assim chamadas ‘práticas bestiais’ com as quais os Draconianos foram imputados[31] se encontra os Mistérios fundamentais de suas fórmulas mágicas, e a atitude Draconiana de apresentar esses mistérios não possuía mais conexão com o compito do tempo pelos movimentos das estrelas em relação à adoração Solar dos Osirianos com suas conexões com o macho no processo de procriação. Somente os Sacerdotes das facções rivais eram completamente conscientes das diferenças fundamentais de ambos os casos, diferenças que se relacionavam ao modo de aplicação de fórmulas fisiológicas específicas para encarnação ou materialização de seres extraterrestres, o que sempre foi à meta dos cultos mágicos. Estas diferenças são aliviadas nos Tantras Asiáticos com sua diferença do Caminho da Mão Esquerda que exalta o princípio feminino, e o Caminho da Mão Direita que designa a supremacia do macho.

A derrocada dos Draconianos no Egito, contudo, não fora completa pois não destruiu o Culto e nem seus Mistérios. É verdade que ele foi apagado da face da terra mas numerosas ondas de Draconianos através dos séculos deixaram o Egito e se espalharam levando o Culto de maneira que ele é traçado através de todo o globo em vários estágios, seja em desenvolvimento ou em degeneração. Em alguns casos ele floresceu em Cultos estranhos que persistiram até os tempos modernos. Mas do ponto de vista da religião ‘oficial’ do Egito, o Culto Draconiano falhou em re-obter suas ascendência embora na XXVIª Dinastia uma tentativa de reviver o Culto tenha sido empenhada. Crowley escreveu a respeito do Sacerdote Tebano[32] daquela dinastia que poderia ter sido um dos responsáveis pela tentativa.

Brugsch Bey observa que na XXVIª Dinastia, uma influência nova e estranha subitamente se torna aparente. Embora ele não o diga especificamente, isso não teve outra origem a não ser o antigo Culto Sabeano de Sirius, a estrela de Set:

Enquanto esse esforço para retornar à Antigüidade no lado artístico chamado quarto distintivo vise ao campo da estética, [...] da mesma forma a um outro lado da vida nacional – o da velha teologia Egípcia e das tradições esotéricas das escolas sacerdotais – uma nova contribuição parece ter sido feita, [...] a qual esteve longe de harmonizar-se com a sabedoria antiga ensinada nos templos. Além dos grandes deuses estabelecidos da velha teologia[33] Egípcia, aparecem agora às formas monstruosas dos monumentos [...]. A canção do demônio do “Velho homem que reconquistou sua juventude, o homem de cabelos grisalhos que se tornou jovem”,[34] os exorcismos de Thot e os poderes da feitiçaria em aliança com ele,[35] são os temas favoritos que cobrem as superfícies polidas dos monumentos deste notável tempo de transição.[36]

Mas as vagas agitações da Corrente Draconiana como uma anormalidade da XXVIª Dinastia, falhou em obter seu lugar. Os restos de um conhecimento milenar morreram e em seu lugar deu-se a enchente de uma sabedoria oculta grotesca e degradada que acabaram por apagar os últimos vestígios da Glória Egípcia. As posteriores dinastias sofreram um acelerado processo de degeneração. Muitos séculos depois a Corrente Draconiana re-despertou não na África, mas na Ásia nos Tantras de Caminho da Mão Esquerda.


Notas


[1] Gerald Massey: Antigo Egito, a Luz do Mundo, 2 vols. Londres, 1907.
[2] Veja os capítulos anteriores.
[3] I.e. a dualidade lunar.
[4] O ano lunar consiste de 360 dias; o ano solar de 365 dias.
[5] Veja Henry Brucsh, The History of Egyot under the Pharaohs, Vol. II, Apêndice 1.
[6] Veja o próximo capítulo para uma análise detalhada da manifestação Tântrica da Tradição Draconiana.
[7] Devotos do princípio feminino e masculino respectivamente.
[8] Ankh-af-na-Khonsu, um Sacerdote Tebano de XXVIª Dinastia fez uma frustrada tentativa de renascimento do Culto Draconiano. Em tempos recentes, Aleister Crowley declarou ser uma reencarnação deste Sacerdote, e seus esforços no século XX são comprovadamente bem sucedidos.
[9] 36x10=360.
[10] Mais tarde Sept, Sete, e Sevekh. Sept era o nome de Sothis; assim foi o filho identificado com a Mãe.
[11] Deusa 15 fora um título de Ishtar ou Astarté, a deidade lunar Acadiana.
[12] Neste contexto Sekhet é Shakti, ou Potencia Negativa.
[13] Crowley, como representante moderno da Tradição Draconiana, identificou a si mesmo como o Sacerdote deste Deus que vivera na XXVIª Dinastia.
[14] Hieróglifos, B.i.15.
[15] I.e. como o sol em mergulho descendente.
[16] Veja O Livro dos Mortos.
[17] A terceira Sephira da Árvore da Vida.
[18] O verdadeiro significado da palavra ‘sacrifício’, como Blavatsky demonstrou, está conectado com a palavra ‘sacramento’ através de ZKR, sua raiz. ZKR é o nome dado ao Santo Falo no Sepher Tzenioutha (II, 467). A natureza do sacramento, o a do sacrifício, é bastante sexual.
[19] É interessante observar que Marte é o representante planetário de Horus, o deus de ‘força e fogo’ cuja energia é provinda de sua sombra negra, Set.
[20] O bolo-mãe foi um nome dado à placenta, um símbolo de manifestação.
[21] Veja os comentários do AL, cap. 3, versos 24 e 25. (Magical and Philosophical Commentaries on The Book of the Law, 93 Publishing, Montreal, 1974.)
[22] Gênese, XVIII, ii.
[23] Celestialmente, no sentido astronômico e terrestre, Tifon controlava o Egito do Norte ou Baixo Egito, Set controlava o Egito do Sul ou Alto Egito.
[24] Iª Dinastia, 4565 a.C.
[25] Ela assumia a forma divina de Tifon, a antiga deusa que supostamente concebeu sem a intervenção do macho; considerava-se que ela fora impregnada pelo alento (Ar) do espírito da Criança Divina, o Har que era Set.
[26] I.e. nascimento.
[27] O nome Sebek, mais tarde Sevekh, significa o número ‘sete’. A Estrela de Babalon, a versão Caldéia da Deusa, i.e. a geratriz ‘diabólica’.
[28] I.e. Abrhadabra. Note o nome divino Had (Set) no coração da fórmula.
[29] O crocodilo ou o dragão havia sido o totem desde deus.
[30] O último Rei dos Draconianos. Ele governou em Avaris no nomo de Set.
[31] Veja os Cavaleiros Templários da Europa medieval. A bestialidade com a qual os Templários eram imputados, entre outra coisas, foi – com toda probabilidade – uma forma de intercurso sexual não conhecida pelos ocultistas atuais que é conhecido sob o nome de Caminho da Mão Esquerda. Ela não se relaciona à homossexualidade ou com ‘bestialidades’ como é compreendida.
[32] Veja Across the Gulf, por Aleister Crowley, The Equinox vol. I, no. 7. Crowley clamava ser a reencarnação de Ankh-af-na-Khonsu que tentou restaurar o Culto Draconiano com Set como Har ou a Criança.
[33] Por ‘velha teologia Egípcia’ Brugsch quer dizer, claramente a vela teologia solar Egípcia; ele, como muitos escolares de seus dias descobriu a profundidade da Antiguidade dos cultos estelares e lunares que precederam esta ‘velha teologia Egípcia’.
[34] I.e. Horus o Antigo, Set, que morreu e ressuscitou como o sempre jovem Har ou filho-sol.
[35] Uma referência a corrente ‘lunar’. A lua presidia a bruxaria, e Thoth era o deus da lua.
[36] A citação é de A História Egípcia sob os faraós, de Henry Brugsch, 1879. (Itálicos pelo presente autor.)


Notas do tradutor


[i] Na Tradição Draconiana do antigo Egito o Hipopótamo era um glifo da constelação que mais tarde seria conhecida como Ursa Maior, as Sete Estrelas da Deusa que ilumina as águas do espaço.
[ii] I.e. província do antigo Egito.
[iii] I.e. Khem.

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