domingo, 21 de setembro de 2014

Babalon: O Ofício da Mulher Escarlate



O nome Babalon é utilizado para designar o ofício da Mulher Escarlate. Ele difere-se da versão apocalíptica não somente em sua ortografia, mas também porque o conceito bíblico da Mulher Escarlate é uma corrupção da antiga tradição mágica da qual – fora dos Santuários de Iniciação – a prostituição do Templo é a única forma lembrada. A tradição tem sido preservada no Tantra hindu e tibetano que descrevem cerimônias que envolvem a utilização dos kālas «elixires-medicinais» que empregam a exsudação de sacerdotisas especialmente treinadas. As mulheres de «perfume de doce-cheiro» ou suvasinīs têm mais do que uma correlação literária com o «perfume de doce-cheiro de suor» mencionado n’O Livro da Lei (I:27). A fórmula da Mulher Escarlate é a fórmula da suvasinī.

Frater Ani Abthilal (David Curwen), eminente membro do Soberano Santuário da Gnose O.T.O. e adepto vāmācāra, escreveu sobre as suvasinīs em seu famoso Comentário Tântrico: «Elas são senhoras de perfume-adocicado [...] selecionadas para desempenhar o papel da Mãe. Elas devem ser buscadas como o único refúgio, [...] embora sejam escolhidas em uma das formas mais raras de magia que pertencem a esta escola de adoração, o ponto focal principal é a mulher, a única suvasinī

Nos śāstras «escrituras» do tantrismo, a suvasinī é uma «sacerdotisa» no sentido em que ela é o veículo escolhido da Deusa Suprema ou Poder Mágico «mahā-śakti». Seu corpo contém zonas de energia oculta intimamente relacionada à rede de nervos e plexos associados com as glândulas endócrinas, os cakras. Como a Deusa Suprema, ela é representada yantricamente pelo Śrī Cakra e mantricamente pelas vibrações secretas que invocam a Energia Criativa primordial em sua forma lunar ou feminina, i.e. em uma forma especialmente adequada para manifestação. Seu mantra nunca foi anotado ou escrito porque ele somente pode ser transmitido oralmente. O Śrī Cakra é, portanto a assinatura da Mulher Escarlate, já que ele delineia a fórmula da Deusa, seja de Nuit, Ísis, Kālī etc., não faz diferença.

Quando a Serpente de Fogo «kuṇḍalinī» é elevada e colocada em atividade, ela energiza os cakras da Mulher Escarlate gerando vibrações que influenciam a composição química de suas secreções glandulares. Depois de se apropriar do amṛta precipitado em qualquer um dos cakras, essas vibrações transformam-se em fluídos que fluem através da saída genital da sacerdotisa. As «fragrâncias» ou «essências» emanadas de cada cakra são assim disponibilizadas para inúmeros objetivos e quando consumidas como sacramento, transformam-se em ojas, pura energia mágica.

No Soberano Santuário da Gnose O.T.O., existem vários métodos para se obter os kālas da Deusa. O método aqui discutido é o do IX° O.T.O. e é equivalente à antiga fórmula Egípcia de Nuit, a Deusa do céu noturno, representada antropomorficamente por uma mulher nua arqueada sobre a terra. A imagem anterior desta fórmula conforme demonstrada na Estela de Ankh-af-na-Khonsu sugere o viparita-maithunā, o modo de congresso sexual da Deusa, no qual a sacerdotisa se coloca sobre o sacerdote. A fórmula viparita-maithunā é o símbolo da total reversão dos sentidos necessária para o completo despertar da Serpente de Fogo.


Juiz de Fora – MG

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