domingo, 21 de setembro de 2014

A Interpretação Machista da Magia Sexual



Ao analisarmos a evolução e o desenvolvimento da magia sexual nas Ordens e Escolas tradicionais no Ocidente notamos uma completa falta de conhecimento acerca do trabalho da sacerdotisa ou como gostamos de colocar, o Ofício de Babalon. Comumente a mulher é tida como um «receptáculo», participando das operações mágicas como mera coadjuvante. Isso ocorre por vários fatores. A mente ocidental é machista. A maior parte das instruções sobre o tema, secretas ou públicas, estão em uma linguagem destinada aos homens, dando pouca ou nenhuma atenção as necessidades femininas. Essa abordagem machista e patriarcal corrompe o Arcano. A magia sexual é uma ciência derivada dos tantras.[1] O Tantra é uma cultura de adoração a Mãe Divina, a Śakti Universal. Nessa cultura a mulher é o cerne da tradição, provedora de conhecimento, iniciação e poder mágico. Para os tāntrikās, todas as mulheres são a encarnação e expressão da Deusa e devem ser reverenciadas por seu poder e mistério. Kenneth Grant se referiu a tradição tântrica como a mais fiel repositária da Gnose Tifoniana nos dias de hoje.[2] A doutrina Estelar da Mãe e seu Filho, Seth, está preservada no âmago do Tantra e os verdadeiros devotos da Deusa serão inundados com seus kālas a partir de sua conexão com a tradição e a correta execução de seus ritos.

O Tifoniano é um devoto da Śakti, portanto, um tāntrikā. Silenciosamente em seus ritos ele invoca as sutis emanações da Deusa Negra dançando ao som das Esferas Estelares na medida em que realiza a Missa. Na escuridão do corpo da Grande Mãe ele chama o terrível dragão das profundezas no despertar do Aeon sem Palavra que reluz como um relâmpago que ilumina a consciência.

O Viṣvakośa-tantra diz: «Nenhuma iniciação é válida sem mulheres, carne e peixe». Similarmente, um texto Sahajiyā declara: «Se você não se submeter a uma manjari «mulher» e contar somente com o conhecimento teórico, nunca poderá compreender Kālī pela cultura espiritual». Os Sahajiyās não utilizam peixe ou carne, mas no que concerne a parceira para o abraço místico, possuem a mesma ideia acerca da companhia feminina conforme ensinado nos tantras.

A Tradição Tifoniana opera a Corrente Ofidiana em sua fórmula primordial, resgatando a Mulher Escarlate no Ofício de Babalon como o pilar central das operações mágicas.

Juiz de Fora - MG




[1] Conhecidos também como śāstras «escrituras» da cultura tântrica que tratam de metafísica, magia e rituais de grande profundidade esotérica.
[2] «O Tantra, na forma do Śrī Vidyā, é o mais fiel repositário que temos hoje em dia sobre os mistérios da Tradição Tifoniana, principalmente na doutrina dos cakras e da kuṇḍalinī.» Kenneth Grant, Beyond the Mauve Zone, capítulo 3. Starfire, 1999.

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